sábado, 25 de março de 2017



Brisa na janela
Alço voo em meu pensamento, qual pássaro perdido que busca um lugar seguro onde pousar.  No instinto do coração, tenho a certeza de meus destinos e do que meus olhos procuram.  Sou uma brisa, perdida, tentando seguir aquela trajetória do instinto mas perturbada, tragada, desviada e redirecionada pelos turbilhões do caminho.  Os ventos fortes me deslocam, me afastam de minha rota, o desespero e a incerteza me barram, mas mesmo feita de sutileza e quase inaudível, sendo uma brisa simplesmente prossigo, bordejo, reencontro meu rumo e assim sigo ao encontro de meu ponto de convergência, uma luz distante, tênue, em meio a um caleidoscópio de confusas matizes, um mosaico labiríntico de luzes, os sinais multicoloridos de uma cidade intranqüila.  Brisas contrárias me arrastam, brisas paralelas me desorientam, brisas amigas me ajudam, mas continuo em frente, hesitante porém com poética determinação.   Finalmente encontro meu destino e minha razão de ser numa delicada janela, aquela luz distante, uma janela cheia de poesia, dentro da qual dorme uma fada e bate um coração.  Ali faço meu incorpóreo ruído, como um leve bater de asas de um pássaro invisível.
(por Alex Wittenberg)

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