sábado, 25 de março de 2017



Lua cheia, nuvens rasgadas e lembranças eternas...
Os dias de verão chegam ao seu fim, e rapidamente uma nova história começa e se posiciona em cadência. Os passos que ficaram perdidos no tempo, os olhares no infinito, as vozes pela madrugada,  as lembranças que jamais dirão adeus.  O pensamento procura a lágrima escondida nas dobras do tempo, o sorriso dourado no meio das ondulações ígneas daquele sonho de um ensolarado dia de primavera.  Uma porta se abriu, uma luz brilhou, e memórias foram perpetuamente gravadas.  Partículas viajando pelo espaço, carregadas de palavras de poesia, reflexões sobre diamantes galácticos, divisões de alegria e canto plano, e num dia a distância e o seu fim na visão mágica de um horizonte oculto na escuridão.  Olhos no céu, a lua em guarda na madrugada e as nuvens rasgadas em série pelas suaves iluminuras lunares dos contornos à chegada da aurora.  A cidade dormente e as casas antigas onde olhos começavam a se abrir.  As imagens imortalizadas, as mesmas águas profundas onde sempre, sem saber, estivemos,  e enfim a impermanência e o encerramento desintegrante ao dobrar de uma rua de profundo fascínio.  Um enigma, um jogo que ricocheteia, as esperanças que se dissipam quando a névoa cai e se extinguem na rua mal iluminada, enquanto soam como sinos eternos os acordes finais de uma canção cósmica.  Estranhos ao coração, em solidão, e estes sonhos que continuam mesmo quando fecho os olhos, e que me levam para mais longe a cada momento que mais desperto estou.   Ao final de um momentâneo lapso de razão,  resta a incessante busca de que a ausência de fuga um dia deixará de ser apenas um perpétuo sonho.
(por Alex Wittenberg)

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