sábado, 25 de março de 2017



Brisa na janela
Alço voo em meu pensamento, qual pássaro perdido que busca um lugar seguro onde pousar.  No instinto do coração, tenho a certeza de meus destinos e do que meus olhos procuram.  Sou uma brisa, perdida, tentando seguir aquela trajetória do instinto mas perturbada, tragada, desviada e redirecionada pelos turbilhões do caminho.  Os ventos fortes me deslocam, me afastam de minha rota, o desespero e a incerteza me barram, mas mesmo feita de sutileza e quase inaudível, sendo uma brisa simplesmente prossigo, bordejo, reencontro meu rumo e assim sigo ao encontro de meu ponto de convergência, uma luz distante, tênue, em meio a um caleidoscópio de confusas matizes, um mosaico labiríntico de luzes, os sinais multicoloridos de uma cidade intranqüila.  Brisas contrárias me arrastam, brisas paralelas me desorientam, brisas amigas me ajudam, mas continuo em frente, hesitante porém com poética determinação.   Finalmente encontro meu destino e minha razão de ser numa delicada janela, aquela luz distante, uma janela cheia de poesia, dentro da qual dorme uma fada e bate um coração.  Ali faço meu incorpóreo ruído, como um leve bater de asas de um pássaro invisível.
(por Alex Wittenberg)


Lua cheia, nuvens rasgadas e lembranças eternas...
Os dias de verão chegam ao seu fim, e rapidamente uma nova história começa e se posiciona em cadência. Os passos que ficaram perdidos no tempo, os olhares no infinito, as vozes pela madrugada,  as lembranças que jamais dirão adeus.  O pensamento procura a lágrima escondida nas dobras do tempo, o sorriso dourado no meio das ondulações ígneas daquele sonho de um ensolarado dia de primavera.  Uma porta se abriu, uma luz brilhou, e memórias foram perpetuamente gravadas.  Partículas viajando pelo espaço, carregadas de palavras de poesia, reflexões sobre diamantes galácticos, divisões de alegria e canto plano, e num dia a distância e o seu fim na visão mágica de um horizonte oculto na escuridão.  Olhos no céu, a lua em guarda na madrugada e as nuvens rasgadas em série pelas suaves iluminuras lunares dos contornos à chegada da aurora.  A cidade dormente e as casas antigas onde olhos começavam a se abrir.  As imagens imortalizadas, as mesmas águas profundas onde sempre, sem saber, estivemos,  e enfim a impermanência e o encerramento desintegrante ao dobrar de uma rua de profundo fascínio.  Um enigma, um jogo que ricocheteia, as esperanças que se dissipam quando a névoa cai e se extinguem na rua mal iluminada, enquanto soam como sinos eternos os acordes finais de uma canção cósmica.  Estranhos ao coração, em solidão, e estes sonhos que continuam mesmo quando fecho os olhos, e que me levam para mais longe a cada momento que mais desperto estou.   Ao final de um momentâneo lapso de razão,  resta a incessante busca de que a ausência de fuga um dia deixará de ser apenas um perpétuo sonho.
(por Alex Wittenberg)