Brisa na janela
Alço
voo em meu pensamento, qual pássaro perdido que busca um lugar seguro onde
pousar. No instinto do coração, tenho a
certeza de meus destinos e do que meus olhos procuram. Sou uma brisa, perdida, tentando seguir
aquela trajetória do instinto mas perturbada, tragada, desviada e redirecionada
pelos turbilhões do caminho. Os ventos
fortes me deslocam, me afastam de minha rota, o desespero e a incerteza me
barram, mas mesmo feita de sutileza e quase inaudível, sendo uma brisa
simplesmente prossigo, bordejo, reencontro meu rumo e assim sigo ao encontro de
meu ponto de convergência, uma luz distante, tênue, em meio a um caleidoscópio
de confusas matizes, um mosaico labiríntico de luzes, os sinais multicoloridos
de uma cidade intranqüila. Brisas
contrárias me arrastam, brisas paralelas me desorientam, brisas amigas me
ajudam, mas continuo em frente, hesitante porém com poética determinação. Finalmente encontro meu destino e minha
razão de ser numa delicada janela, aquela luz distante, uma janela cheia de
poesia, dentro da qual dorme uma fada e bate um coração. Ali faço meu incorpóreo ruído, como um leve
bater de asas de um pássaro invisível.


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